Foram realizados na manhã e tarde do último dia 29 de abril os encontros por áreas de conhecimento da Rede Municipla de Valinhos. Todas as áreas de conhecimento se reuniram (na escola Cecília Meireles e no CAP) para refletir sobre suas práticas e buscar melhorias no aspecto ensino-aprendizagem.
O encontro entre professores de português, foi mediado pela professora Elisa R. Santos, que é a coordenadora da área de Língua Portuguesa da rede.
Na parte da manhã os professores ali reunidos (cerca de 15) debateram formas de melhorar o aproveitamento dos alunos da rede nas avaliações externas, com foco nas avaliações de redação do SARESP e PROVA BRASIL, que não tem redação.
Destacou-se a habilidade da prof.ª Elisa em mediar as proposições dos colegas, sempre de uma forma educada e respeitosa, mesmo quando estas teciam ácidas críticas ao modelo educacional implantado. A coordenadora teve, ainda, a sensibilidade de inverter a pauta, privilegiando a necessidade de os professores colocarem suas aflições e angústias em sala de aula, conduzindo o debate para uma solução conjunta das dificuldades existentes hoje no ensino de Língua Portuguesa na Rede de Valinhos.
PROPOSTAS
Daquilo que foi debatido, podemos destacar a necessidade de que o professor tenha menos alunos em sala de aula para ensinar redação e receba aulas excedentes para corrigir as redações fora dela. Ou até ques lhe sejam atribuídas aulas para a correção. Qualquer professor minimamente informado, sabe que é impossível ensinar redação com mais de 15 alunos em sala de aula, dada a heterogeneidade dos puplilos, com suas dificuldades e necessidades. Além disso, cada redação, para ser corrigida, leva, no mínimo 10 minutos. Supondo que o professor tenha 5 salas com 25 alunos cada, levaria, numa conta grosseira, 4 horas para corrigi-las. E quem paga esse trabalho extra? Até porque precisa-se preparar aula, corrigir outras provas (nem só de redação vive o homem) etc.
Outras colocações dos colegas buscaram na padronização das ações uma forma de melhorar o ensino de redação. Outras ainda colocaram iniciativas pessoais de muito valor que deram certo e que podem ser aproveitadas.
Lamentavelmente, boa parte das manifestações dos professores ali presentes colocaram de lado a questão social vivida atualmente pelo país. A escola não vive separada do mundo. Ela é, no mínimo, reflexo deste, um microcosmo que reproduz todas as imperfeições do macrocosmo. Dessa forma, fica difícil, por exemplo, ensinar a norma culta (falada pela elite) numa sociedade em que somente de 8 anos para cá a população das classes C,De E começou a ser tratada como gente. Num país que gasta em média US$ 1.303 por ano (cerca de R$ 2.488), o pior índice entre 34 países, num estudo realizado pela OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O Chile, por exemplo gasta US$ 2.864 (R$ 5.470). Luxemburgo gasta US$ 13.458 (R$ 25.705).
Culpabilizar o aluno, a internet, a progressão continuada, a desetruturação das famílias ou até professores de séries anteriores por esse descalabro, desmonsta uma visão míope da educação.
Por fim, os professores em conjunto elaboraram um rol de assuntos que serão debatidos nas reuniões seguintes: Produção de texto no Saresp / Gramática contextualizada / Gêneros textuais / Outras linguagens na sala de aula / Dificuldade de aprendizagem / Leitura. O próximo encontro acontece no dia 30 de maio.
OPINIÃO
No final de 2008, o time de futebol do Corinthians estava de volta à 1ª divisão do campeonato brasileiro de futebol, após ter caído no ano anterior. Seus dirigentes tinham a opção de montar um time competitivo em todas as poisções contratando bons jogadores. Não quiseram. O markenting alvinegro preferiu uma jogada econômica e trouxe Ronaldo Fenômeno. A torcida ficou feliz e teve-se a impressão, durante aquele ano, de que os problemas estavam resolvidos. Não estavam. As duas quedas precoces na Taça Libertadores da América provaram que, fora Ronaldo, o time de Paque São Jorge era medíocre.
Comparativamente, é louvável o esforço da Secretaria de Educação de Valinhos no sentido de melhorar os índices nas avaliações externas (SARESP e PROVA BRASIL). No entanto, avalio que ela está incorrendo no mesmo erro dos dirigentes corintianos (guardadas as devidas proporções).
Sabemos que escrever bem, mais do que um dom, é o resultado de um esforço sério e concentrado. A humanidade falou primeiro e veio a escrever milhares de anos depois. A escrita nada mais é do que a representação gráfica da fala. Transformar sujeitos falantes em escritores competentes é o objetivo da escola.
No entanto, sabemos que não existe mágica. Para ficar no terreno dos múmeros, o primeiro colocado no ENEM, o colégio particular Vértice, de São Paulo, tem, em média, 10 alunos por sala e paga ao professor um salário de R$ 6.000,00. Não dá para imaginar que um professor, por mais que se esforce, consiga um bom resultado em qualquer exame com esse volume de trabalho atual e com o número de alunos por sala que tem a escola pública, cujos resultados bons advem daquelas que selecionam seus pupilos (a saber colégios militares e técnicos federais e estaduais).
Reitero: é louvável o esforço da Educação de Valinhos, porém o problema é um iceberg e parece que só estamos olhando (a julgar pelo que debatemos até agora) para a ponta dele. Menos alunos em sala, mais tempo para corrigir redações. Paliativos são como caminhar sobre uma esteira: andamos, andamos, mas, de verdade, não saímos do lugar. Vide o Corinthians....
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